domingo, 24 de novembro de 2013

VÍCIO EM SEXO

                                 
 O Vício em sexo trata-se de um distúrbio capaz de prejudicar a pessoa em diversas áreas, como na profissão, na vida sentimental e no meio social em que se relaciona , o que esta sendo relacionado aqui é uma síndrome sexual com sérias implicações para o individuo, decorrentes de um comportamento compulsivo, o qual é tido como um transtorno necessário de ser tratado como um distúrbio psicopatológico.Pessoas com essa anomalia apresentam  elevados níveis de desejo, com fantasias sexuais a todo o momento. Isso os impede de controlar seus impulsos sexuais e, mais do que isso, o individuo acaba virando escravo do seu vicio. Tornam-se, assim, dependentes  do próprio desejo e passam a viver em função de sua atividade sexual.Em mulheres, o Desejo Sexual Hiperativo também é conhecido como Ninfomania e entre os homens, denomina-se Satiríase.
A sexualidade humana expressa e realiza o ser integral de cada pessoa. Faz parte das experiências do cotidiano como fonte de prazer, realização emocional e estruturação da nossa identidade. É muito influenciada pelos aspectos socioculturais e cada indivíduo é tocado em sua particularidade, pelo meio em que vive. Uma vez que os valores sociais das culturas são instáveis, as condutas sexuais se modificam com o tempo. Dessa forma , não é tão fácil mensurar um padrão para a atividade sexual. Podemos, portanto, estar apenas diante de uma questão de saúde, ética ou meramente íntima de cada indivíduo.
Segundo determinações em psicopatologia, a compulsão sexual pode ser entendida como distúrbio ou patologia, quando causa sofrimento emocional para a pessoa, com prejuízos consideráveis, ou seja, o limite pode ser percebido quando a pessoa começa a machucar a si mesma e aos outros em sua volta.Quando tenta controlar o impulso sexual intenso, a pessoa experimenta uma grande tensão e ansiedade, que a faz retornar à atividade sexual, com posterior estado depressivo.Estudiosos  explicam a compulsão sexual como uma dependência. Isto é, um vício, muito próximo do uso de drogas.
Segundo a Psicanálise, o desejo é o que movimenta o homem. No entanto, especialmente os desejos sexuais, estão sempre em conflito, seja com convenções sociais, com a própria realidade ou, ainda, simplesmente por existirem. Freud afirmava que tais desejos são fundamentais à saúde, mesmo que nunca satisfeitos totalmente. O ser humano deseja o que não tem ou aquilo que perdeu, e esses desejos não satisfeitos e reprimidos podem gerar sofrimento, ou serem causas de expressões sexuais surpreendentes e até perturbadoras, a ponto de culminar no comportamento compulsivo.
Há, ainda, teorias psicológicas que afirmam ser um transtorno de adaptação comportamental, baseado no fato de que o ato repetitivo em busca de prazer - feito por meio do sexo - está ligado à aprendizagem de algo que proporciona tranquilidade. Para essa corrente de pensamento, o sexo funciona como uma espécie de droga sintética, capaz de diminuir sentimentos de medo, solidão e ansiedade. Neste caso, ocorre uma hiperestimulação do processo natural decorrente da atividade sexual, que é entendido pelo cérebro como uma recompensa prazerosa.
Percebemos, então, que o conjunto de sintomas apresentados pelo Desejo Sexual descontrolado pode, na verdade, representar transtornos diferentes, de acordo com as particularidades de cada individuo, devendo cada qual ser tratado de forma distinta, conforme sua possível origem.
                  Correlação com Kant

As Lições sobre Ética trazem definições dispersas, mas bastante explícitas, do que o filósofo entende ser o desejo sexual. Para se referir a essa dimensão da vida humana, ele utiliza, indistintamente, as expressões impulso,instinto, inclinação apetite e até mesmo necessidade. Kant tem consciência de que é preciso tratar do sexo a partir de um enfoque duplo, isto é, “não simplesmente em relação com o nosso estado civilizado, mas segundo a condição natural do homem” (KANT, 1997, p. 22), e afirma que, embora seja natural, a própria natureza o oculta, a fim de que possa ser mais fortemente preservado para o seu uso correto, cobrindo-o com o véu da vergonha (KANT,1997, p. 22, 175). Tal constatação situa para nós a tensão doravante existente: o impulso sexual, localizado no âmbito da sociedade civilizada,deverá ser controlado de acordo com suas diretrizes –iluministas
São as anotações de Collins que trazem uma compilação mais ampla do pensamento kantiano acerca da sexualidade. Nelas, há uma seção específica sobre o assunto: Dos deveres para com o corpo em relação ao impulso sexual. Nesse tópico, o filósofo distingue, de modo mais claro, as relações afetivo-sexuais dos outros tipos de associações humanas. A despeito de termos diversas maneiras de nos relacionar entre si – como as relações de trabalho, a amizade, a benevolência, o ódio ou a soberba –, o sexo possui uma característica peculiar que o faz completamente distinto de todas as outras formas de relacionamento intersubjetivo e, além disso, torna-o perigoso para a vida moral: trata-se do fato de ele ser, em si mesmo, uma inclinação objetificadora. Isto é, sempre que desejamos alguém sexualmente, na verdade, estamos vislumbrando-o como objeto de gozo, satisfação, deleite.Desse modo, há a transformação e, pior, a redução de um outro ser humano a um mero objeto de prazer, suscetível de consumo, como é próprio de um apetite. A respeito desse entendimento, o próprio Kant (1997, p. 55) afirma:
O homem tem um impulso direcionado para os outros, não enquanto ele pode fazer uso de seus trabalhos e circunstâncias, mas imediatamente para os outros enquanto objetos de sua satisfação [...]. Permanece nele uma inclinação que pode ser chamada de apetite, e está direcionada ao gozo do outro. Este é o impulso sexual(KANT, 1997, p. 155).

Além do vínculo com a faculdade apetitiva e de seu caráter objetificante, que fazem de um ser humano um simples instrumento para a obtenção de prazer, do excerto acima depreendemos a curiosa informação: há outras possibilidades de fazer uso de outrem (como instrumento) que não são moralmente condenáveis, como o trabalho. Infere-se, portanto, que existem algumas formas permissíveis de fazer uso do homem enquanto meio, ao passo para Kant  que outras não o são, e o sexo se inclui nessas últimas.Para Kant o sexo como meio é permitido dentro dos preceitos cristãos.

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